terça-feira, 25 de outubro de 2016

ALUNOS BRASILEIROS NÃO SABEM ARGUMENTAR, DIZ ESTUDO


Alunos brasileiros não sabem argumentar, diz estudo
http://www.cartaeducacao.com.br/reportagens/argumentacao-%E2%80%A8ou-reproducao/

Exigidos em vestibulares, provas e concursos, os textos dissertativos-argumentativos costumam ser amplamente trabalhados entre os alunos do Ensino Médio. Afinal, saber expor ideias com clareza e sustentar argumentos são aptidões importantes não só nas salas de aula, mas para a formação de cidadãos atuantes na sociedade.

Os alunos brasileiros, entretanto, estão saindo da escola com dificuldades para argumentar, defender teses e construir pontos de vista. O alerta é da pesquisa “Argumentação, Livro Didático e Discurso Jornalístico, Vozes Que se Cruzam na Disputa pelo Dizer e Silenciar”, da pedagoga Noemi Lemes, tese de mestrado para a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP de Ribeirão Preto.

No trabalho, Noemi analisou livros didáticos e redações produzidas por alunos do terceiro ano do Ensino Médio de escolas públicas e constatou que a dificuldade está, em grande parte, ligada ao modo como os materiais de apoio abordam a argumentação, usando quase exclusivamente como exemplos produções da imprensa. “Quase sempre é apresentado um único texto jornalístico sobre determinado assunto, expressando um ponto de vista que os alunos tendem a reproduzir”, explica.

Além disso, os livros didáticos raramente apresentam textos acordes e desacordes que ampliem as visões sobre os temas. Esse discurso em uníssono prejudica o desenvolvimento da autoria e do pensamento crítico, diz a pedagoga. Ela acrescenta: “As redações são curtas e pontuais e, na maioria das vezes, nenhum novo sentido é instaurado. Porém, uma argumentação bem- sucedida é aquela que trabalha com o novo, quando o aluno expressa de forma clara e lógica sua própria perspectiva”.

O ensino da argumentação no Ensino Médio é também tema de estudo da professora Helia Coelho Mello Cunha, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense. Para ela, muitos professores recorrem a técnicas artificiais de organização de texto que não levam o aluno a refletir e a desenvolver posicionamento crítico sobre os assuntos atuais. “Como os alunos poderiam escrever e defender bem suas ideias se a eles não é oferecida a oportunidade de desenvolver habilidades argumentativas na escola? Percebo que os estudantes têm muita dificuldade e, por isso, acabam escrevendo textos puramente informativos”, diz a autora de A Construção da Argumentação no Ensino Médio: um Trabalho Técnico e Retórico.

Já Antonio Suarez Abreu, professor titular da Unesp e docente associado da USP, acredita que os estudantes que têm acesso unicamente ao discurso jornalístico como exemplo de argumentação não ficam prejudicados em sua capacidade, mas limitados, uma vez que esse gênero costuma tratar só de fatos e problemas conjunturais. “Na maioria das vezes, não se trata de os alunos reproduzirem a opinião alheia, mas, sim, o senso comum, disseminado por mídia, escola e família.”

Para o autor de, entre outros livros, A Arte de Argumentar Gerenciando Razão e Emoção, contrapor-se ao senso comum deixa as pessoas inseguras e com medo, inclusive da reprovação no vestibular. “Imagine uma aluna indiana diante de um tema que envolva a juventude e a moda. Se na Índia as mulheres são proibidas de usar calças jeans, você acha que ela ousaria argumentar contra esse costume em uma redação que fosse decidir sua futura vida acadêmica?”, indaga.

Outra questão observada pelos especialistas é a ausência, nas escolas, de embasamento teórico mais profundo. “Nos livros, não encontramos conceitos importantes sobre a Teoria da Argumentação. Não é que os alunos precisem estudar profundamente a Retórica de Aristóteles, mas, pelo menos, deveriam passar por conceitos básicos dela, como hipótese, argumento, auditório e persuasão”, defende Helia. Para ela, é essencial trabalhar o planejamento do texto dissertativo-argumentativo, trazendo a leitura e a análise de escritos do gênero e identificando seus elementos de construção, como a tese defendida, os recursos utilizados para persuadir e a estrutura da redação. Ela ressalva, porém, que “seguir a estrutura é importante, mas ser criativo é fundamental. Atualmente, as redações lembram bolos industrializados”.

Noemi defende ainda que materiais didáticos e professores apresentem outros gêneros além do jornalístico, como os científicos, para embasar os argumentos. “No caso de uma redação na qual o tema é pena de morte, é importante que o livro também contenha textos de leis para que o aluno possa se basear em dados. O professor pode produzir seus próprios escritos ou trazer outros, pois o importante é que ocorra o embate de ideias. Afinal, se só um texto circula no livro didático, o estudante é impelido a ter a mesma opinião”, diz.

Ele sugere mesclar ciência, filosofia e literatura. “O professor pode usar com os alunos, por exemplo, a Dama das Camélias, de Alexandre Dumas Filho, que narra a paixão do jovem Alfredo Germont pela cortesã Violetta Valery na Paris de 1848. Que tal o diálogo entre Giorgio Germont, pai de Alfredo, e Violetta, em que ele a convence a abandonar Alfredo, para discutir a construção dos argumentos e sua aceitação segundo os valores da sociedade rigidamente estratificada da época?”, propõe.

Essa preocupação com a reflexão sobre as estratégias de persuasão, as marcas linguísticas e as situações comunicativas vai além da preparação acadêmica dos estudantes. “A argumentação é um conteúdo importante para a vida do cidadão, para ajudá-lo a desempenhar um papel político na sociedade e enxergar as questões que o cercam. Como disse Aristóteles, a retórica é importante porque o justo e o verdadeiro têm mais valor quando diante dos seus opostos”, lembra Noemi.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

O que é COESÃO TEXTUAL?



Quando falamos de COESÃO textual, falamos a respeito dos mecanismos linguísticos que permitem uma sequência lógico-semântica entre as partes de um texto, sejam elas palavras, frases, parágrafos, etc.

Tipos de Argumentação: DEDUTIVOS ou INDUTIVOS

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Tipos de Sujeito...



SABER LER E SABER INTERPRETAR

Tanto se fala sobre a leitura, mas o que é ser um leitor competente?
A leitura é um diálogo que envolve um texto (escrito por alguém, por algum motivo, de alguma maneira específica, para atingir a determinados objetivos) e um leitor (que lê por algum motivo, de um determinado modo, também para atingir seus objetivos).
Nessa interação, o leitor é um sujeito ativo. A construção de sentidos ocorre na relação que se estabelece com o texto, na qual são desenvolvidos sentimentos, expectativas, conhecimentos prévios, habilidades e estratégias, com um destino a se atingir: a compreensão. É um processo de apropriação do texto pelo leitor.
Esse processo, deve estar completo ao findar do 5º ano do Ensino Fundamental e vai se aprimorando quanto a extensão e vocabulário ao longo das outras séries.
Não é somente solicitando o preenchimento de fichas de leitura sobre livros que os alunos levam para casa que as habilidades leitoras serão desenvolvidas, pois, elas partem de conexões cognitivas que precisam ser estimuladas por um mediador – professor. Cada habilidade leitora precisa ser ensinada, desenvolvida… 
A defasagem nas habilidades leitoras terão reflexos não só na disciplina de Português, mas em todas as outras disciplinas, pois é através da leitura de textos expositivos que os alunos aprendem os conteúdos das outras matérias. Existem alunos que apresentam baixo desempenho em Matemática, devido às dificuldades de interpretação de textos. É comum ouvirmos que alguns alunos não sabem “qual continha usar para resolver um probleminha”. 
Verifique abaixo se seu filho ou seus alunos possuem as habilidades e competências leitoras que, segundo as PCN’s e as provas que compõem o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica, são esperadas para os leitores que terminam o Ensino Fundamental I (4ª série/5º ano):
  • Localizar informações explícitas em um texto. (Sabe responder perguntas claras sobre o texto?)
  • Inferir o sentido de uma palavra ou expressão. (Consegue deduzir o significado de uma expressão no contexto do texto?)
  • Inferir uma informação implícita no texto. (Consegue deduzir uma informação “subentendida”?)
  • Identificar o tema de um texto. 
  • Distinguir um fato da opinião relativa a essa fato.
  • Interpretar o texto com auxílio de material gráfico (propagandas, quadrinhos, fotos, entre outros).
  • Identificar a finalidade de textos diferentes gêneros. (Entende para que serve um bilhete, uma página de diário, um cartaz, uma reportagem de jornal?)
  • Reconhecer diferentes formas de tratar uma informação na comparação de textos que tratam do mesmo tema, em função das condições em que ele foi produzido. 
  • Estabelecer relações entre partes de um texto, identificando repetições ou substituições que contribuem para a continuidade de um texto. (Quando o aluno vai escrever uma produção de texto, ele consegue perceber que não deve ficar o tempo todo escrevendo o nome do personagem? Ele sabe que os autores dos textos que lê fazem essa substituição?)
  • Identificar o conflito gerador do enredo e os elementos do texto. 
  • Estabelecer relações lógico-discursivas presentes no texto, marcadas por conjunções, advérbios, etc.
  • Identificar os efeitos de ironia ou humor em textos variados.
  • Identificar o efeito de sentido decorrente do uso da pontuação e de outras notações. (Sabe que, cada sinal de pontuação: ponto-final, ponto de interrogação, ponto de exclamação, vai mudar o sentido da frase?)
  • Identificar as marcas linguísticas que evidenciam o locutor e o interlocutor de um texto.
Fonte: http://comoeuaprendo.com/2013/10/23/saber-ler-e-saber-interpretar/

Interpretando um texto...

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Depois que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9394/96) entrou em vigor no Brasil, em 1997, muita coisa no ensino de Língua Portuguesa foi modificada, levando-se em consideração agora o amplo trabalho dos lingüistas nas universidades.
Antes o ensino de L.P. era basicamente em cima das gramáticas normativas: cheias de regras preconceituosas, impossíveis e, na maioria dos casos, decorativas. Quem não se lembra de ir para a escola carregando aquele calhamaço, aquele catatau de páginas e mais páginas explicando os inúmeros casos de como se usa a crase, entre tantas outras explicações esdrúxulas?
Hoje, o ensino de L.P. é basicamente interpretativo e contextualizado. Educa-se em língua materna para o entendimento no contexto em que se realiza a comunicação; educa-se para a completude do sujeito; educa-se para a essência do conteúdo, além dos diversos níveis de linguagens e gêneros existentes em uma mesma sociedade.
Mesmo assim, quando se fala em interpretação de textos muitos estudantes não têm certeza ou segurança de seguir em frente. A interpretação é algo individual ou há um sentido comum a todas as pessoas? O que a universidade quer é o mesmo que o autor diz? E as pegadinhas? São muitas as dúvidas que pairam sobre a cabeça dos alunos.
Virou lenda os casos de Jorge Amado e Mário Prata não acertarem as questões de vestibular que caíram sobre suas próprias obras literárias. Ninguém atesta a veracidade desse fato, mas é comum ouvir isso nos corredores dos pré-vestibulares e colégios.
O que se pode minimizar sobre o assunto, neste espaço contido, é que, em relação à interpretação de textos, não se pode cair em três erros básicos: a extrapolação, a redução e a contradição, senão se terá desviado do que pede o enunciado.
A extrapolação é o erro mais comum nas interpretações. Trata-se do aluno que “viaja na maionese”, ou seja, vai para além dos limites do texto, para o que não disse o autor. Não é a soma do que está nas entrelinhas ou implícito, é ultrapassar a fronteira do que não está posto.
Já a redução é enxergar o texto sobre um único prisma, não vê-lo como um todo: o aluno só se depara com um aspecto do mesmo e não com todo ele. A redução é fruto da pressa, da inexperiência, do ler de forma superficial.
E, por fim, a contradição, que é o fato do leitor chegar a conclusões opostas àquelas que estão no texto. As suas deduções o levaram a aspectos que estão contrários aos do autor, ao que ele escreveu. O mesmo que incoerência.
Como o brasileiro figura nas piores estatísticas da UNESCO sobre interpretação de textos e resoluções de problemas matemáticos (que são basicamente interpretativos!), é bom ficar de olho nos três erros descritos acima.
Persistindo a dúvida, tenha calma, leia a questão novamente, procure absorver o que quer dizer o autor - qual o tema trabalhado -, e responda à questão que mais se identifica com a idéia núcleo, com a essência, com o que se pede. Na maioria das vezes é uma simples questão de raciocínio lógico ou dedutivo.
Tudo o que o estudante necessita está ali no texto, no que o autor escreveu ou, como diria Foucault, nos silêncios que há entre uma palavra e outra, sem extrapolação, redução ou contradição!

Fonte: Gustavo Atallah Haun - Professor e Blogger
 

Argumentação nos artigos de opinião. Published @ 2014 by Ipietoon

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