sexta-feira, 21 de outubro de 2016

SABER LER E SABER INTERPRETAR

Tanto se fala sobre a leitura, mas o que é ser um leitor competente?
A leitura é um diálogo que envolve um texto (escrito por alguém, por algum motivo, de alguma maneira específica, para atingir a determinados objetivos) e um leitor (que lê por algum motivo, de um determinado modo, também para atingir seus objetivos).
Nessa interação, o leitor é um sujeito ativo. A construção de sentidos ocorre na relação que se estabelece com o texto, na qual são desenvolvidos sentimentos, expectativas, conhecimentos prévios, habilidades e estratégias, com um destino a se atingir: a compreensão. É um processo de apropriação do texto pelo leitor.
Esse processo, deve estar completo ao findar do 5º ano do Ensino Fundamental e vai se aprimorando quanto a extensão e vocabulário ao longo das outras séries.
Não é somente solicitando o preenchimento de fichas de leitura sobre livros que os alunos levam para casa que as habilidades leitoras serão desenvolvidas, pois, elas partem de conexões cognitivas que precisam ser estimuladas por um mediador – professor. Cada habilidade leitora precisa ser ensinada, desenvolvida… 
A defasagem nas habilidades leitoras terão reflexos não só na disciplina de Português, mas em todas as outras disciplinas, pois é através da leitura de textos expositivos que os alunos aprendem os conteúdos das outras matérias. Existem alunos que apresentam baixo desempenho em Matemática, devido às dificuldades de interpretação de textos. É comum ouvirmos que alguns alunos não sabem “qual continha usar para resolver um probleminha”. 
Verifique abaixo se seu filho ou seus alunos possuem as habilidades e competências leitoras que, segundo as PCN’s e as provas que compõem o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica, são esperadas para os leitores que terminam o Ensino Fundamental I (4ª série/5º ano):
  • Localizar informações explícitas em um texto. (Sabe responder perguntas claras sobre o texto?)
  • Inferir o sentido de uma palavra ou expressão. (Consegue deduzir o significado de uma expressão no contexto do texto?)
  • Inferir uma informação implícita no texto. (Consegue deduzir uma informação “subentendida”?)
  • Identificar o tema de um texto. 
  • Distinguir um fato da opinião relativa a essa fato.
  • Interpretar o texto com auxílio de material gráfico (propagandas, quadrinhos, fotos, entre outros).
  • Identificar a finalidade de textos diferentes gêneros. (Entende para que serve um bilhete, uma página de diário, um cartaz, uma reportagem de jornal?)
  • Reconhecer diferentes formas de tratar uma informação na comparação de textos que tratam do mesmo tema, em função das condições em que ele foi produzido. 
  • Estabelecer relações entre partes de um texto, identificando repetições ou substituições que contribuem para a continuidade de um texto. (Quando o aluno vai escrever uma produção de texto, ele consegue perceber que não deve ficar o tempo todo escrevendo o nome do personagem? Ele sabe que os autores dos textos que lê fazem essa substituição?)
  • Identificar o conflito gerador do enredo e os elementos do texto. 
  • Estabelecer relações lógico-discursivas presentes no texto, marcadas por conjunções, advérbios, etc.
  • Identificar os efeitos de ironia ou humor em textos variados.
  • Identificar o efeito de sentido decorrente do uso da pontuação e de outras notações. (Sabe que, cada sinal de pontuação: ponto-final, ponto de interrogação, ponto de exclamação, vai mudar o sentido da frase?)
  • Identificar as marcas linguísticas que evidenciam o locutor e o interlocutor de um texto.
Fonte: http://comoeuaprendo.com/2013/10/23/saber-ler-e-saber-interpretar/

Interpretando um texto...

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Depois que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9394/96) entrou em vigor no Brasil, em 1997, muita coisa no ensino de Língua Portuguesa foi modificada, levando-se em consideração agora o amplo trabalho dos lingüistas nas universidades.
Antes o ensino de L.P. era basicamente em cima das gramáticas normativas: cheias de regras preconceituosas, impossíveis e, na maioria dos casos, decorativas. Quem não se lembra de ir para a escola carregando aquele calhamaço, aquele catatau de páginas e mais páginas explicando os inúmeros casos de como se usa a crase, entre tantas outras explicações esdrúxulas?
Hoje, o ensino de L.P. é basicamente interpretativo e contextualizado. Educa-se em língua materna para o entendimento no contexto em que se realiza a comunicação; educa-se para a completude do sujeito; educa-se para a essência do conteúdo, além dos diversos níveis de linguagens e gêneros existentes em uma mesma sociedade.
Mesmo assim, quando se fala em interpretação de textos muitos estudantes não têm certeza ou segurança de seguir em frente. A interpretação é algo individual ou há um sentido comum a todas as pessoas? O que a universidade quer é o mesmo que o autor diz? E as pegadinhas? São muitas as dúvidas que pairam sobre a cabeça dos alunos.
Virou lenda os casos de Jorge Amado e Mário Prata não acertarem as questões de vestibular que caíram sobre suas próprias obras literárias. Ninguém atesta a veracidade desse fato, mas é comum ouvir isso nos corredores dos pré-vestibulares e colégios.
O que se pode minimizar sobre o assunto, neste espaço contido, é que, em relação à interpretação de textos, não se pode cair em três erros básicos: a extrapolação, a redução e a contradição, senão se terá desviado do que pede o enunciado.
A extrapolação é o erro mais comum nas interpretações. Trata-se do aluno que “viaja na maionese”, ou seja, vai para além dos limites do texto, para o que não disse o autor. Não é a soma do que está nas entrelinhas ou implícito, é ultrapassar a fronteira do que não está posto.
Já a redução é enxergar o texto sobre um único prisma, não vê-lo como um todo: o aluno só se depara com um aspecto do mesmo e não com todo ele. A redução é fruto da pressa, da inexperiência, do ler de forma superficial.
E, por fim, a contradição, que é o fato do leitor chegar a conclusões opostas àquelas que estão no texto. As suas deduções o levaram a aspectos que estão contrários aos do autor, ao que ele escreveu. O mesmo que incoerência.
Como o brasileiro figura nas piores estatísticas da UNESCO sobre interpretação de textos e resoluções de problemas matemáticos (que são basicamente interpretativos!), é bom ficar de olho nos três erros descritos acima.
Persistindo a dúvida, tenha calma, leia a questão novamente, procure absorver o que quer dizer o autor - qual o tema trabalhado -, e responda à questão que mais se identifica com a idéia núcleo, com a essência, com o que se pede. Na maioria das vezes é uma simples questão de raciocínio lógico ou dedutivo.
Tudo o que o estudante necessita está ali no texto, no que o autor escreveu ou, como diria Foucault, nos silêncios que há entre uma palavra e outra, sem extrapolação, redução ou contradição!

Fonte: Gustavo Atallah Haun - Professor e Blogger

terça-feira, 18 de outubro de 2016

O que é Artigo de Opinião?

Como você se sente convivendo em uma sociedade na qual tem a oportunidade de se posicionar diante de um determinado assunto e discuti-lo segundo suas observações, seus posicionamentos acerca da realidade que o cerca? Importante, não? Sim, pois essa atitude caracteriza você como sendo alguém que não cruza os braços diante de tudo que vê, diante de tudo que escuta, de tudo que assiste nos noticiários por aí.
E saiba, quando estiver prestando um concurso, um vestibular, sabe aquela provinha de redação? Pois bem, essa circunstância comunicativa de que estamos falando pode ser uma das opções, certo? Mas qual? O artigo de opinião, obviamente.
Ele, por sua vez, caracteriza-se como um gênero textual em que seus argumentos possuem condições de fazer com que o interlocutor acredite que você realmente tem razão no que diz.
Dessa forma, por pertencer a essa categoria (de caráter argumentativo), deve obedecer à linguagem padrão, ou seja, nada de coloquialismo, a menos que seja em favor do seu projeto de texto, como é o caso de se referir a uma determinada situação. No mais, procure evitar as marcas que você presencia por meio da oralidade, ok?
Nesse sentido, acreditamos que você tenha plena consciência de que uma modalidade de gênero, constituída de tal importância, não se mostra isenta de aspectos estruturais, os quais devem ser rigorosamente obedecidos, entre eles:
- Título;
- Parágrafo introdutório, no qual os elementos principais da ideia a ser retratada são evidenciados.
- Desenvolvimento, no qual são expostos os argumentos em defesa de um ponto de vista a ser defendido;
- Conclusão, na qual ocorre o fechamento de todas as ideias abordadas ao longo do discurso.

Por Vânia Duarte
Graduada em Letras

Qual a diferença entre Tipo Textual e Gênero Textual??


TiposTextuais

A expressão tipo textual é usada para designar uma espécie de sequência teoricamente definida pela natureza linguística  de sua composição (aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas).
[Douglas Biber (1988), Jean Paul Bronckart (1999)]

Alguns Tipos Textuais:

         Narração;
          Dissertação Argumentativa/ Expositiva;
          Descrição;
          Injunção.

Gêneros Textuais

A expressão gênero textual é usada como uma noção propositalmente vaga para referir os textos materializados que encontramos em nossa vida diária e que apresentam características sócio-comunicativas definidas por conteúdos, propriedades funcionais, estilo e composição características. 
[Douglas Biber (1988), Jean Paul Bronckart (1999)]

Alguns Gêneros Textuais:

     - Telefonema;                                                            - Sermão;
-          Carta (Comercial, Pessoal, Eletrônica);             - Bilhete;
-          Bula de Remédio;                                      - Cardápio;
-          Outdoors;                                                    - Bate-Papo;
-          Edital de Concurso;                                   - Piada;
-          Lista de Compras;                                      - Notícias.
                                                
Gêneros privilegiados para a prática de escuta e leitura de textos
Linguagem Oral
Linguagem Escrita
Literários
-      cordel, causos e similares
-      texto dramático
-      canção
Literários
-      conto
-      novela
-      romance
-      crônica
-      poema
-      texto dramático
De Imprensa
-      comentário radiofônico
-      entrevista
-      debate
-      depoimento
De Imprensa
-      notícia
-      editorial
-      artigo
-      reportagem
-      carta do leitor
-      entrevista
-      charge e tira
Fonte: Parâmetros Curriculares Nacionais – 5ª a 8ª Séries.

Tipos de Argumentos


1. Argumento de Autoridade:

A ideia se sustenta pela citação de uma fonte confiável, que pode ser um especialista no assunto ou dados de instituição de pesquisa, uma frase dita por alguém, líder ou político, algum artista famoso ou algum pensador, enfim, uma autoridade no assunto abordado. A citação pode auxiliar e deixar consistente a tese.
Não se esqueça de que a frase citada deve vir entre aspas. Veja:

“O cinema nacional conquistou nos últimos anos qualidade e faturamento nunca vistos antes. ‘Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça’ - a famosa frase-conceito do diretor Glauber Rocha – virou uma fórmula eficiente para explicar os R$ 130 milhões que o cinema brasileiro faturou no ano passado”.

(Adaptado de Época, 14/04/2004)

2. Argumento por Causa e Consequência:

Para comprovar uma tese, você pode buscar as relações de causa (os motivos, os porquês) e de conseqüência (os efeitos, a decorrência).
Observe:

“Ao se desesperar em um congestionamento em São Paulo, daqueles em que o automóvel não se move nem quando o sinal está verde, o indivíduo deve saber que, por trás de sua irritação crônica e cotidiana, está uma monumental ignorância histórica.
São Paulo só chegou a esse caos porque um seleto grupo de dirigentes decidiu, no início do século, que não deveríamos ter metrô. Como cresce dia a dia o número de veículos, a tendência é piorar ainda mais o congestionamento – o que leva técnicos a preverem como inevitável a implantação de perigos”.
(Adaptado de Folha de S. Paulo. 01/10/2000)

3. Argumento de Exemplificação ou Ilustração:

A exemplificação consiste no relato de um pequeno fato (real ou fictício). Esse recurso argumentativo é amplamente usado quando a tese defendida é muito teórica e carece de esclarecimentos com mais dados concretos.
Veja o texto a seguir:

“A condescendência com que os brasileiros têm convivido com a corrupção não é propriamente algo que fale bem de nosso caráter. Conviver e condescender com a corrupção não é, contudo, praticá-la, como queria um líder empresarial que assegurava sermos todos corruptos. Somos mesmo? Um rápido olhar sobre nossas práticas cotidianas registra a amplitude e a profundidade da corrupção, em várias intensidades.
Há a pequena corrupção, cotidiana e muito difundida. É, por exemplo, a da secretária da repartição pública que engorda seu salário datilografando trabalhos “para fora”, utilizando máquina, papel e tempo que deveriam servir à instituição. Os chefes justificam esses pequenos desvios com a alegação de que os salários públicos são baixos. Assim, estabelece-se um pacto: o chefe não luta por melhores salários de seus funcionários, enquanto estes, por sua vez, não “funcionam”. O outro exemplo é o do policial que entra na padaria do bairro em que faz ronda e toma de graça um café com coxinha. Em troca, garante proteção extra ao estabelecimento comercial, o que inclui, eventualmente, a liquidação física de algum ladrão pé-de-chinelo”.
(Jaime Pinksky/Luzia Nagib Eluf. Brasileiro(a) é Assim Mesmo, Ed.Contexto)

4. Argumento de Provas Concretas ou Princípio:

Ao empregarmos os argumentos baseados em provas concretas, buscamos evidenciar nossa tese por meio de informações concretas, extraídas da realidade. Podem ser usados dados estatísticos ou falsos ou fatos notórios (de domínio público).
Veja como se processa:

“São expedientes bem eficientes, pois, diante de fatos, não há o que questionar... No caso do Brasil, homicídios estão assumindo uma dimensão terrivelmente grave. De acordo com os mais recentes dados divulgados pelo IBGE, sua taxa mais que dobrou ao longo dos últimos 20 anos, tendo chegado à absurda cifra anual de 27 por mil habitantes. Entre homens jovens (de 15 a 24 anos), o índice sobe a incríveis 95,6 por mil habitantes”.
 (Folha de S. Paulo. 14/04/2004)

5. Argumento por analogia (ou a simili):

É o argumento que pressupõe que se deve tratar algo de maneira igual, situações iguais. As citações de jurisprudência são os exemplos mais claros do argumento por analogia, que é bastante útil porque o juiz será, de algum modo, influenciado a decidir de acordo com o que já se decidiu, em situações anteriores.
Veja um exemplo desse argumento:

“Em relação à violência dos dias atuais, o Brasil age semelhante a uma noiva abandonada no altar: perdida, sem saber para aonde ir, de onde veio e nem para onde quer chegar. E a questão que fica é se essa noiva largada, que são todos os brasileiros, encontrará novamente um parceiro, ou seja, uma nova saída para o problema”.

6. Argumento de Senso Comum:

É o argumento que traz uma afirmação que representa consenso geral, incontestável. São mais utilizados quando se quer defender um ponto de vista, uma opinião, um argumento que é massificado; ninguém irá apelar contra, pois é conhecido universalmente.

7. Argumento de fuga:

É o argumento de que se vale o retórico para escapar à discussão central, onde seus argumentos não prevalecerão. Apela-se, em regra, para a subjetividade – é o argumento, por exemplo, que enaltece o caráter do acusado, lembrando tratar-se de pai de família, de pessoa responsável, de réu primário, quando há acusação de lesões corporais (ou homicídio culposo) em que é réu.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Argumentar, Persuadir ou Convencer?


5 dicas para uma boa argumentação

Argumentar é a capacidade de relacionar fatos, teses, estudos, opiniões, problemas e possíveis soluções a fim de embasar determinado pensamento ou ideia.
Um texto argumentativo sempre é feito visando um destinatário. O objetivo desse tipo de texto é convencer, persuadir, levar o leitor a seguir uma linha de raciocínio e a concordar com ela.
Para que a argumentação seja convincente é necessário levar o leitor a um “beco sem saída”, onde ele seja obrigado a concordar com os argumentos expostos.
Uma boa argumentação só é feita a partir de pequenas regras as quais facilmente são encontradas em textos do dia a dia, já que durante a nossa vida levamos um longo tempo tentando convencer as outras pessoas de que estamos certos.

Veja a seguir 5 dicas sobre como ter uma boa argumentação:

  1. Os argumentos devem ter um embasamento, nunca deve-se afirmar algo que não venha de estudos ou informações previamente adquiridas;

  2. Os exemplos dados devem ser coerentes com a realidade, ou seja, podem até ser fictícios, mas não podem ser inverossímeis;

  3. Caso haja citações de pessoas ou trechos de textos, tais textos devem ser razoavelmente confiáveis, não se pode citar qualquer pessoa;

  4. Experiências que comprovem os argumentos devem ser também coerentes com a realidade;

  5. Há de se imaginar sempre os questionamentos, dúvidas e pensamentos contrários dos leitores quanto à sua argumentação, para que a partir deles se possa construir melhores argumentos, fundamentados em mais estudo e pesquisa.

Sobre a estrutura do texto:
  • Deve conter uma lógica de pensamentos. Os raciocínios devem ter uma relação entre si, e um deve continuar o que o outro afirmava.
  • No início do texto deve-se apresentar o assunto e a problemática que o envolve, sempre tomando cuidado para não se contradizer.
  • Ao decorrer do texto vão sendo apresentados os argumentos propriamente ditos, junto com exemplificações e citações (se existirem).
  • No final do texto as idéias devem ser arrematadas com uma tese (a conclusão). Essa conclusão deve vir sendo prevista pelo leitor durante todo o texto, a medida que ele vai lendo e se direcionando para concordar com ela.
A argumentação não trabalha com fatos claros e evidentes, mas sim investiga fatos que geram opiniões diversas, sempre em busca de encontrar fundamentos para localizar a opinião mais coerente.
Não se pode, em uma argumentação, afirmar a verdade ou negar a verdade afirmada por outra pessoa. O objetivo é fazer com que o leitor concorde e não com que ele feche os olhos para possíveis contra-argumentos.
 

Argumentação nos artigos de opinião. Published @ 2014 by Ipietoon

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